elegia
nunca fui de viajar
nem mesmo vir ao Rio de Janeiro.
não posso culpar o jeito da minha família
que sempre foi muito programada,
Ou niterói, ou são pedro da aldeia.
não há culpa a ser dada a alguém.
tambem faz pouco tempo que passei
a frequentar essa cidade:
cheguei com os tiros,
com a guerra civil,
com o conflito de amores.
cheguei jornalista
de metrô e camisa social pra fora da calça
com o suor na testa, na careca,
e só pensando, só sonhando
com o trabalho e as notícias do dia seguinte.
pra sempre interrompido pelo
Next stop, Botafogo
e o
É só pra eu poder tomar um cafezinho.
sempre ouvi falar do porto, do arpoador,
da estação da carioca e dos
cinemas.
na minha cidade, tinha cinema.
meu primeiro filme foi Rei Leão,
do qual só lembro de uma imagem
desfocada no breu.
nem sei se isso é minha memória ou imaginação.
depois, não havia mais, a época dos blockbusters.
já era tarde quando voltaram
caros aos 12 ou 13 anos.
o Rio sempre foi cinema pra mim.
e poesia, e música,
e quando você tem isso tudo
somando as capas dos jornais,
é que você começa a pensar como eu penso,
que tudo que importa e a imagem, é o sentimento,
não a realidade.
é porque nada poderia viver
ao sonho que é o Rio de Drummond, Vinícius e Chico.
vim te conhecer, Rio,
cheguei com os tiros,
com a guerra civil,
com o conflito de amores.
foi amor à primeira vista.